Crise no ensino superior

Primeira assembleia de estudantes da Unifesp Guarulhos aprova greve
A situação no campus de Guarulhos é limite. Na segunda semana de aula, cerca de mil estudantes aprovaram a paralisação das atividades até a reitoria dar uma verdadeira solução diante dos problemas enfrentados24 de março de 2012

O início do ano letivo para o campus de São Paulo da Unifesp foi em fevereiro. Para os estudantes do campus de Guarulhos começou na segunda semana de março.
O atraso ocorreu devido à situação realmente caótica em que estão ocorrendo as atividades na unidade. Nem mesmo os professores que em anos anteriores defendiam a reitoria e atacavam o movimento estudantil conseguem evitar de dizer o óbvio: a situação é insustentável.
Diversas disciplinas são ministradas no CEU (Centro de Educação Unificado) da prefeitura de Guarulhos com salas pequenas e sem infra-estrutura.
Até o ano passado essa improvisação tinha dado relativo resultado. Esse ano com cerca de 700 novos alunos não dá para disfarçar ou se iludir de que vai dar tudo certo sem pressionar a reitoria. A reitoria da Unifesp aprovou a expansão da universidade mas até agora quase não investiu e desviou o dinheiro. O prédio utilizado foi doado pela prefeitura e é totalmente inadequado. Não existe nenhum isolamento e o barulho dentro das salas torna o trabalho muito improdutivo.
Sem infra-estrutura para agüentar todas as pessoas que circulam no local, frequentemente cai a energia, as máquinas de copiar quebram e os estudantes não conseguem ter o texto em mãos para acompanhar as aulas.
O próprio reitor em dezembro de 2011 afirmou que o caso mais grave na Unifesp é do campus de Guarulhos. Em entrevista, Walter Manna Albertoni afirmou “Guarulhos é realmente o maior problema”. “O número de vagas é grande e o número de novos alunos é sempre maior do que o de formados. Começa a sobrar gente.”
O que ele não fala é que a verba destinada para a infraestrutura dos campi novos da universidade foi roubada pela administração central. Os 34 milhões do dinheiro do Reuni (plano de expansão das universidades federais) para a infra-estrutura das unidades de Guarulhos, Baixada Santista, Diadema, São José dos Campos em 2009 foram desviadas para a compra de novo prédio para a reitoria, com o gasto declarado de 18 milhões e pagamento de negociação de contas atrasadas de água dos prédios da Vila Clementino, antigo campus da universidade.
A biblioteca da unidade está em um local improvisado e é muito precária, possuindo mais de 10 mil livros encaixotados por falta de espaço e de funcionários para cadastrá-los.
Segundo dados fornecidos pela própria reitoria, para o funcionamento da unidade seriam necessários 130 funcionários. Atualmente há apenas 50.
O campus de Guarulhos foi inaugurado no bairro dos Pimentas em 2007 e abriga seis cursos na área de Humanas: Ciências Sociais, Filosofia, História, História da Arte, Letras e Pedagogia. Funciona em uma área doada pela prefeitura e uma área vazia aguarda o prédio principal que não foi construído.
Professores denunciam que projetos no curso de ciências sociais podem perder financiamento devido à falta de local para que sejam adquiridos equipamentos.
Com o pretexto de problemas legais com a licitação para a construção do prédio na Unifesp campus de Guarulhos a estrutura básica como as salas de aulas faltam.
A promessa de prédio definitivo existe desde a abertura do campus e deixando muitos prejuízos, o prédio não sai do papel.
Os estudantes não devem aceitar este tratamento como “estudantes de segunda linha” e reivindicar as necessárias estruturas na universidade para o seu funcionamento.
Organizar a greve com atos e manifestações
A assembleia dos estudantes se iniciou por volta de 18h30 na última quinta-feira. Foram feitas várias intervenções de denúncia da situação do campus, da perseguição sofrida pelos estudantes e a necessidade de aprovação da greve estudantil com uma pauta própria, além de propor que professores e funcionários também paralisem as atividades.
A votação foi ganha com ampla maioria e logo depois de vencer por ampla maior, um membro da atlética pediu para fazer uma declaração na qual afirmou que a votação não teria validade. Com uma alegação absurda de que em uma assembleia em 2011 teria sido aprovado a impossibilidade de aprovar greve na “primeira assembleia do ano”. É uma alegação completamente absurda e que contraria a tradição de organização do movimento estudantil.
O fórum convocado pelos estudantes para debater os problemas enfrentados na universidade tem independência e autonomia para decidir o que achar necessário. A assembleia geral para debater os problemas de infra-estrutura no campus de Guarulhos é legítima e marca uma posição política clara dos estudantes de não aceitar mais a farsa que é o ensino no local.
Alguns professores finalizaram as aulas, incitando os estudantes a irem até a assembleia apenas para votar contra a greve. Nesse momento começou uma forte chuva e não há sequer uma marquise na unidade. Após a indecisão de como prosseguir o fórum estudantil, decidiram ocupar o teatro e encaminhar as decisões.
Apesar do tumulto causado por um pequeno grupo que ficou contrariado com a decisão de fazer a greve, o movimento estudantil conseguiu superar e manter a legítima decisão dos estudantes.
Foram marcadas reuniões para organização das atividades de greve, políticas e culturais.
É importante a realização de diversos debates e manifestações contra a reitoria até que esta devolva o dinheiro da infra-estrutura das unidades para que estas possam de fato existir.

http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=35521

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